Hoje é um daqueles dias onde paro e penso "Será que estou no caminho certo? Será que está certo tudo o que faço?"
Me deixa muito feliz quando chega o final do dia e eu estou exausta do trabalho, de cuidar do meu pai e das minhas dogs. Quando estou esgotada do trabalho pesado na firma do meu pai, quando estou cansada de ter que limpar a casa dele, me preocupar com o estado de saúde dele e acariciar sua cabeça sentindo o ardor de álcool que exala de seu corpo. As vezes sinto muito medo, de que ele possa me machucar com palavras, por não controlar o que fala, mas mesmo assim me deixa feliz por estar ao lado dele.
Quando o dia vai se encerrando eu me lembro que na favela próximo a avenida líder tem uma peluda aguardando ansiosamente a minha chegada com ração e remédio para sarna, com muita alegria me preparo para encontrá-la e ver sua alegria pulando em mim e sujando a minha roupa limpinha, mas ao ver a marca de lama na minha calça jeans isso reflete de que uma vida, um sentimento, uma respiração me tocou. Ela sabe que eu estou ali para ver sua felicidade e seu bem. Depois de medicá-la, deixar comida com uma das moradoras da favela, me despeço da senhorita cachorra e deixo avisada que voltarei na semana seguinte. Me despeço dos "manos do pedaço" e meio insegura vou embora, rezando para que Deus me proteja (pois próximo a essa favela eu já fui assaltada), ironia do destino, rsrsrs.
Ok...outro dia se inicia e todo o trajeto é refeito, mas no final do dia não tem mais a senhorita cachorra me esperando, pois ela sabe que eu retornarei na outra semana, tem uma senhora de 86 anos que não vê quase nada, apenas sombras. Vou até sua casa, abro o portão e seus cachorros começam a latir e pular em cima de mim, como que dizendo:
_Dona Antônia, tem visita, tem gente!!
E eu vou adentrando sua casa e falando:
_Sou eu Dona Antônia, a Beth! Dona Antônia?
Sento-me em sua sala e falamos de tudo, de sua saúde, seus cachorros, seu marido falecido e na maioria das vezes de minha mãe. De como ela era boa e preocupada com todo mundo!
As vezes eu levo alguma coisa para a Dona Antônia comer, as vezes me ofereço para lavar a louça, aquecer o almoço, colocar comida para ela ou até limpar a sua casa. Enfim...tento fazer o que está ao meu alcance.
Mais um dia se encerra e lá me vou para guarulhos, para o meu refúgio, o meu cantinho e o meu aconchego me despeço dela e digo que assim que possível eu volto para ver como ela está! Ou para ficar com ela se ela não estiver se sentindo bem.
A noite cai e o que eu mais quero é poder dormir, pois as minhas boas energias foram gastas e distribuídas para aqueles que precisam.
Olhe hoje é terça feira, é o dia em que eu vou encontrar o meu amigo de 41 anos de idade, o meu melhor amigo, aquela pessoa em que eu confio, em que eu deposito toda a minha esperança, aquele que me fez ver que tudo é possível.
Então refaço o meu percurso do dia e quando o dia está se encerrando, eu pego a minha mochila e vou para o metrô, rumo ao hospital do servidor público municipal. Fico esperando o Clerson chegar e quando ele chega nós fazemos o nosso ritual (rs), vamos para a lanchonete comer e conversar MUITO antes de atendermos. Depois de nós falarmos tudo um para o outro, está na hora de vestirmos o nosso jaleco de doutores e atender as pessoas que precisam.
Vamos até onde ficam as chaves e pegamos aquela que abre a sala dos voluntários, subimos até o último andar onde eu morro de medo de fantasmas, sempre saio correndo e o clerson ri da minha cara (rsrsrs), pois lá é um deserto total. Nós vamos para a sala e cuidadosamente trocamos de roupas tiramos as roupas de ELISABETH e CLERSON e colocamos as roupas de Dra. Pulguinha Colorida e Dr. Miojo Pena Branca, delicadamente nos maquiamos e por último o nosso nariz vermelho, onde naquele momento tudo se transforma e nossos corações e nossas mentes estão prontos para entrar em ação. Nós nos abraçamos e pedimos a Deus para que nos leve ao lugar certo, para que atendamos aquela pessoa desesperada, ou aquela que está com medo e que tenhamos as palavras certas no momento certo, rezamos e damos um suspiro bem fundo (VAMOS LÁ).
Brincamos com os funcionários, pacientes e acompanhantes... conversamos com as vovós e vovôs e muitas vezes nós falamos:
_Estamos aqui com você!!
Um dia é ruim demais, o outro é muito bom, o outro mais ou menos... e assim nós vamos aprendendo a lidar com a morte, com a tristeza, com a alegria, com choros, esperanças, com a fé e principalmente com a vida que nos rodeia. Nós aprendemos a sermos humanos, aprendemos que somos iguais e que igualdade é o que nos torna cidadãos.
Acho que o que me deixa muito feliz, me preenche e me deixa SATISFEITA é fazer amigos, fazer o bem, poder ajudar e ser ajudada. Pois essas pessoas me ensinam e me ajudam a evoluir como pessoa.
Sou feliz por ter milhares de pessoas a minha volta! Obrigada por fazer parte da minha vida e da minha história!!
Assim encerro mais um dia...
LIS VENTURA
domingo, 5 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Primavera Fotográfica
Zzzzzzz... algo me chama, me sinto incomodada e lentamento abro os meus olhos, algo vai se revelando e de repente, vejo o meu edredon. Mais um dia começa a nascer, aquele feche de luz passando pela clarabóia e iluminando a escuridão do meu quarto, revela que está na hora de fazer a máquina do meu corpo funcionar, pois a primavera pede aos pássaros para cantarem uma melodia de bom dia, me convidando a levantar da cama e descobrir o que ela trouxe para mim.
Ao pisar no chão as minhas lembranças do dia anterior começam a rodar em minha cabeça, como um curta metragem, mas como uma boa produtora eu me lembro dos bastidores e fico revendo o making off a todo momento.
Algo chama a minha atenção, a minha câmera fotográfica está toda empoeirada no rack da sala, mas quando eu me aproximo, todas aquelas "gravações" do dia anterior desaparecem. Parece que uma fita minidv novinha é colocada na Z1. Eu bato o branco e aperto o rec.
O cinegrafista está acompanhando uma nova gravação, uma história chamada ATRAVÉS DA LENTE.
Quando a câmera fotográfica está em minhas mãos esqueço completamente de quem sou, o que sou e o que quero, simplesmente o meu ser e a câmera se transformam em um só sentimento. Ela passa a ser a ferramenta fundamental para revelar os sentimentos através da lente, que muitas pessoas não conseguem ver.
Aquela formiguinha carregando uma folhinha com muito esforço, a lagarta que virou borboleta, desfilando seu lindo par de asas coloridas, uma cadela dando de mamar para a sua ninhada, as nuvens correndo em direção ao sol, a brisa macia que nos propaga ar puro e aqueles pequenos detalhes que não damos valor por causa da correria do dia-a-dia.
A minha lente está captando tudo, está transformando a luz em arte. Está mostrando a beleza da vida, mostra o porque estamos respirando e vivendo. Mostra que o tempo e a hora já não existem mais, são apenas "currais", como se estivessem vivendo a vida toda em um cabresto sem poder sentir a maravilha que nos rodeia.
Click... a última foto foi "capturada", a luz das 16h está se extinguindo e o sinal de que o planeta terra caminha ao descanso é anunciado e eu agradeço a todos os meus modelos por me mostrarem a importância que cada ser tem. Satisfeita com mais um dia de trabalho, agradeço a oportunidade de estar viva para aprender mais e mais com os meus "modelos".
Depois de um lindo dia, volto para casa com a certeza de que fiz e faço aquilo que mais amo. Que eu trabalho com a criação de Deus.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Pensamentos
Não sei ao certo, mas sinto que meus pensamentos tomam conta de mim. Vivendo na incerteza e na certeza. Questionando e sendo questionada, sempre por uma única pessoa. EU MESMA!
Uma busca constante em estar certa e nunca errar. O que não adimito em mim é errar. Não posso me permitir a errar, parece que sinto que isso é falta de capacidade, não estudei o suficiente, não me esforcei ao máximo.
Me sinto como uma menininha, buscando o caminho certo, perdida no meio da escuridão, correndo incansavelmente para alcançar um único objetivo: VIVER
Vejo e sinto a loucura que é sobreviver, sim! SOBREVIVER... as pessoas más, a poluição, as doenças, a loucura, ao estresse, ao trabalho chato... SIM... estamos em um jogo! Vence quem sobreviver da melhor maneira possível. Mas tem os obstáculos, trabalhos, família, paixões, sentimentos...
Mas em todo jogo, nós achamos escondido em uma moita um prêmio, que são as festas, viajens, amigos e tudo que nos faz sentir PAZ e prazer.
Mas temos que vencer o grande vilão, a TRISTEZA que sempre anda com os seus capachos, doenças, poluição, lixo, mal-humor. Eles te capturam e te levão ao mestre deles... a tristeza. Quando você fica de cara-a-cara com ele...xiiiiiiii... aí o jogo termina. GAME OVER
Mas se você possuir ESPERANÇA, aí você verá o continue... meio escondido e terá a chance de pegá-lo.
Aí você está na sala, de frente com a TRISTEZA e de repente, dá um salto mortal e abraça a tristeza, mostra todo o seu carinho e vontade de ajudar. Ela simplesmente vira fumaça... e você consegue salvar o jogo da SOBREVIVÊNCIA e descobre o que é a vida!
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